Gostaria de convidar os oito ministros do Supremo Tribunal Federal que votaram contra a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para viajarem num avião conduzido por um "piloto" sem formação ou para se consultarem com um "médico" que não cursou medicina. Ora, se para eles o estudo é tão desnecessário, creio que não se importariam em serem servidos por profissionais despreparados.
Justo eles que vivem preocupados com a exposição negativa na mídia, que vivem se justificando por suas gafes, deveriam ter sido bem mais cautelosos

ao definir os rumos do tido como quarto poder do Estado brasileiro, a imprensa. Mas, bom senso é algo que parece simplesmente não existir no governo desse país.
Cada dia há um escândalo novo. Um que está se lixando para a opinião pública, ministros do STF que se engalfinham em frente às câmeras de TV, outros ainda que tem a cara de pau de defender cabidões de emprego no setor público. Sinceramente, não podia esperar absolutamente nada desses "profissionais" (entre aspas sim, porque nem sei se eles podem ser assim chamados).
Entretanto, não quero ser hipócrita. Alguns deles até tem razão quando dizem que estudo não é garantia de ética e profissionalismo. E não é mesmo. Isso tem muito a ver com caráter, educação familiar, convivência social, mas também com formação.
Médicos formados comentem erros fatais. Pilotos experientes também derrubam aviões. Mas convenhamos que a probabilidade disso acontecer é infinitamente maior quando falamos de profissionais sem formação. Agora, se mesmo bem preparado o ser humano é passível de falha, imagine então se ele não estudar?!
Isso quer dizer que devemos estudar cada vez mais para minimizar nossas chances de erro (que podem ser tão letais quanto as de um médico ou um piloto. Inúmeros casos da história da imprensa brasileira comprovam isso) e não simplesmente ignorar a formação acadêmica!
Não posso negar que nós, jornalistas, demos brecha. Nisso os profissionais de comunicação empresarial estão se saindo muito melhor que os da redação. Raramente vemos repórteres ou editores voltando para as universidades em busca de especializações e muito menos em outras formações. Se quero ser um bom jornalista de economia, tenho que entender economia. Se cubro a área de saúde, devo ter conhecimentos profundos sobre a área. Ou seja, jornalista nunca será mesmo uma profissão completa. Nós é que temos que correr atrás de algo que nos complete. Nada de profissionais "genéricos"!
Se nós tívessemos nos preocupado mais com isso, não deixaríamos nossos lugares vagos para os economistas, para os consultores de moda e muito menos para as celebridades instantâneas (com ex-BBBs que viram repórteres, apresentadoras). Se estamos passando por essa lamentável situação, a culpa também é nossa.
Somos profissionais de comunicação, cuidamos da imagem de todo mundo e nos esquecemos da nossa própria imagem! Fizemos com que a sociedade nos visse como profissionais facilmente substituíveis. Com uma formação que não agrega em absolutamente nada. Infelizmente, fizemos espetos de pau na nossa casa de ferreiros.
Se ainda nos restar um pingo de bom senso, (coisa que eu jamais esperaria dos governantes) proponho que comecemos já a mostrar a nossa verdadeira face para a sociedade. Temos que provar que somos sim muito importantes e que a qualidade e credibilidade da informação nesse país depende de profissionais formados e muito bem preparados. Para isso, além de cuidar da nossa imagem, temos que estudar mais. Só a especialização nos fará vencer essa guerra que vai muito além do simples fato de um papel ser obrigatório ou não. Estamos falando do resgate da moral da nossa categoria.
Vamos refletir sobre isso.